
Abkhazia. O nome é complicado e a situação na região é pior ainda. É que essa província separatista da Geórgia tem laços cada vez mais cerrados com Moscou, enquanto o governo central georgeano é fiel escudeiro da União Européia e dos EUA - receita um tanto explosiva. Não por acaso o drama se passa às portas da antes impotente Rússia. Dois mandatos de Putin depois, o urso russo parou de hibernar, e hoje a Abkhazia virou questão de honra e prestígio para a chancelaria moscovita – uma prova de que a fragilidade pós-comunista, personificada no bêbado Ieltsin, acabou. A Rússia de hoje quer exigir (e realmente exige, é bom lembrar) respeito.
Dimitri Medvedev, aliado de Vladmir Putin eleito no dia 2 de março, está para assumir a presidência e, também não por acaso, deverá nomear logo em seguida Putin primeiro-ministro (dá-lhe respeito à Constituição e alternância de poder). Outro “não por acaso”: está marcada para sexta-feira, depois das respectivas posses dos amigos, o primeiro desfile militar na Praça Vermelha com a presença de mísseis nucleares desde o final da Guerra Fria e do império soviético.
Mas o mundo bipolar já era. Após incursões russas, autoridades da Geórgia divulgaram, em protesto, um vídeo ( que, claro, foi parar no Youtube) de um MIG russo abatendo aviões do país. Novas formas de protesto na Era da Informação.
“(…) a natureza da Guerra não consiste na luta real, mas na disposição para ela e durante todo tempo não se tem segurança do contrário. O tempo restante é de Paz.” Thomas Hobbes, Cap. 13 do Leviatã.
Veja o vídeo do ataque russo:
Na mentalidade do Kremlin, absolutamente nada é por acaso. Isso às vezes é levado às ultimas conseqüências, e os russos tendem a enxergar tramas e conspirações onde não existe nada.
Dito isso, as coisas podem mudar rapidamente na Abkhazia, depois de quinze anos de um conflito mais ou menos congelado. Uma facção do governo Saakashvili crê que a republica separatista possa ser usada como uma moeda de troca entre Moscou e Tblisi. Os russos abandonariam os abkhazes e em troca a Georgia desistiria de entrar na OTAN.
Não posso contar quem me disse isso, mas a fonte é quente, muito quente.