
Os jornais brasileiros passaram batido na efeméride, porém o mundoentrelinhas faz questão de relembrar. Ontem, 12, foi o segundo aniversário da guerra de 33 dias entre Israel e o Hezbollah. Para israelenses, conforme os relatórios da investigação de Winograd atestam, o conflito foi uma grande trapalhada protagonizada por um gabinete inexperiente. Para o Hezbollah, uma vitória capaz de aumentar de maneira significativa seu prestígio no Líbano e no mundo árabe, mesmo entre os sunitas. Afinal, Nasrallah e seu grupo saíram vitoriosos ao impedir as pretensões de Israel em limar o Hezbollah do sul do Líbano, como as forças de Begin haviam feito com a OLP nos anos 80. Ainda: o grupo terrorista xiita mostrou uma capacidade de ataque inédita, atingindo com foguetes cidades até então consideradas fora de seu alcance, como Haifa.
A situação atual é tão tensa quanto a que antecedeu os conflitos. Apesar da presença da missão de paz da ONU, a Finul, há bons indícios de que o Hezbollah esteja recarregando seus estoques. De uma perspectiva doméstica, o gabinete de união que pôs fim aos meses de instabilidade política no Líbano conferiu um papel proeminente ao grupo, que agora terá direito de veto. Israel, por sua vez, vê o Hezbollah e o Irã como parte de uma só ameaça e uma situação de crise com o regime persa muito provavelmente significará também uma nova onda de violência em sua fronteira norte.
Em meio ao clima hostil e preocupante de “stalemate”, como analistas americanos gostam de chamar, hoje (re)surge a notícia de que poderá haver uma troca de prisioneiros entre os dois inimigos que se esbofetearam há dois anos. A inteligência alemã teria arquitetado o entendimento, que supostamente deve acontecer na próxima quarta, dia 16. Entre as moedas de troca estariam dois soldados israelenses (presumivelmente mortos), seqüestrados no episódio que virou estopim para a última guerra, e o piloto Ron Arad, abatido em 1986. Em contrapartida, os corpos de 200 árabes que tentaram se infiltrar em território israelense, e Samir Qantar, condenado à prisão perpétua por matar uma garota israelense de 4 anos e mais duas pessoas.
Robi,
Muito bom lembrar desse episódio, a mídia brasileira deixa muito a desejar em matéria de noticiário internacional.
Vale frisar, no entanto, que muito mais do que o conflito Israel-Hezbollah, a “guerra” de 2006 foi uma tragédia para o Líbano. Mesmo 2 anos após o conflito, a economia libanesa ainda pena para recuperar os estragos (o prejuízo foi de 2 bilhões de dólares para o país).
A economia é só um exemplo. Morte de civis, enfraquecimento das (poucas) infra-estruturas públicas, instabilidade do sistema político libanês são algumas das outras consequências desse episódio.
Aliás, será que podemos chamar o que aconteceu em 2006 de guerra? Uma guerra não seria o conflito entre 2 exércitos nacionais? Até onde eu sei, nem o Líbano, nem Israel, declararam guerra um ao outro.