
meta-Tolstoi: suposto número 1 da literatura
A Newsweek saiu com uma lista dos 100 melhores livros da história da humanidade – da Bíblia a Marx, de Homero à Virginia Woolf e Gabriel García Marquez. Ousado, para dizer o mínimo. Na verdade, trata-se de uma “meta-lista”, explica o site, uma compilação eclética de 10 grandes seleções feitas. Juntaram rankings mais, digamos, tradicionais, como o do St. John’s College, com referências da deliciosa cultura de massa – “Oprah’s Book Club” e os “100 bestsellers, segundo Wikipedia”. Regra do jogo: só entram livros em inglês ou já traduzidos para a língua de Shakespeare.
O resultado é estranho. O melhor livro já escrito pelo homem seria Guerra e Paz, de Tolstoi, seguido por 1984, de Orwell, e Ulysses, de Joyce. Apesar de altamente discutível, o começo da lista não é a maior encrenca. Segundo a Newsweek, O Ursinho Poof estaria 10 pontos à frente de Madame Bovary, de Flaubert, e pelo menos 13 de qualquer obra de Shakespeare. Logo atrás da Guerra do Peloponeso, de Tucídides, viria O Senhor dos Anéis.
Prevendo a iminente rajada a ser lançada por intelectuais ultrajados, a revista se antecipa:
Some academics, teachers, serious-minded students of literature and intellectual poseurs will, of course, scoff at the idea, calling it preposterous and devoid of any intellectual merit-usually just before they suggest other books that they think should, of course, be included.
(…) Lists – dating back to, say, the Ten Commandments – have an undeniable appeal. And they often serve a useful purpose. They can focus the mind, stimulate discussion, help us make judgments, convey valuable information, and, yes, even encourage us to read books.
De fato, vale uma boa conversa de bar.
(Atualização.: Outra lista literária, desta vez da Foreign Affairs, indica alguns livros para entender a interação Estado-capital, ponto-chave da atual tormenta financeira internacional)