(Matéria publicada no Estadão de hoje)
Roberto Simon
Enviados do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos iniciaram ontem em Honduras uma investigação sobre abusos cometidos pelo governo de facto desde o golpe de 28 de junho. Entre as várias denúncias estão as violações cometidas contra a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, incluindo o uso de um canhão de som que emite ondas de altíssima frequência.
Projetada como arma não letal para dispersar multidões em lugares abertos, o dispositivo foi empregado pela polícia hondurenha contra a missão brasileira poucos dias após o presidente deposto, Manuel Zelaya, refugiar-se na casa. À época, estavam dentro da embaixada brasileira mais de 300 pessoas.
Certos modelos de canhão emitem ondas de até 150 decibéis, podendo causar dor insuportáveis e danos permanentes à audição. Alguns modelos podem também se converter em microfone ultrassensível. Leve e portátil, o dispositivo tem sido uma das principais armas usadas por embarcações na costa leste da África para evitar ataques de piratas somalis.
Segundo o Estado apurou, o Itamaraty mostrará à comissão da ONU fotos e gravações de áudio que comprovam as violações cometidas contra a representação brasileira. O relatório final deverá ser apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da organização, com sede em Genebra, na Suíça, e poderá dar força a uma investigação contra o governo de facto comandado por Roberto Micheletti. Atualmente, potentes alto-falantes emitem sons de animais nos muros da embaixada e dois holofotes iluminam a casa durante a noite inteira.